Limites de Exposição à Poeira Mineral
Quais são os limites de exposição à poeira mineral no trabalho?
No Brasil, os limites de exposição a poeiras minerais estão no Anexo nº 12 da NR-15. O anexo trata de três agentes: asbesto (amianto) crisotila, 2,0 f/cm³; manganês e seus compostos, até 5 mg/m³ (poeiras) ou até 1 mg/m³ (fumos) para jornada de até 8 horas por dia; e sílica livre cristalizada, cujo limite é calculado por fórmula a partir do teor de quartzo. A NR-15 classifica como insalubre o trabalho acima desses limites (subitem 15.1.1) [1]. Para poeiras minerais, o adicional de insalubridade é de 40% [2], que corresponde ao grau máximo [3].
Approach: Consultei o Anexo nº 12 da NR-15 e o texto consolidado da NR-15 (versão de 2025), ambos publicados pelo Ministério do Trabalho e Emprego no gov.br. Respondi para o Brasil; se a pergunta for sobre Portugal ou outro país, diga qual.
Limites do Anexo nº 12
| Agente | Limite de tolerância | Condições |
|---|---|---|
| Asbesto crisotila (fibras respiráveis) | 2,0 f/cm³ | Fibras com diâmetro abaixo de 3 µm, comprimento acima de 5 µm e relação comprimento/diâmetro acima de 3:1 [4] |
| Manganês: extração, tratamento, moagem e transporte do minério, e outras exposições a poeiras | até 5 mg/m³ | Jornada de até 8 h/dia [5] |
| Manganês: metalurgia, baterias e pilhas, vidros e cerâmicas, eletrodos de solda, tintas e fertilizantes, e outras exposições a fumos | até 1 mg/m³ | Jornada de até 8 h/dia [5] |
| Sílica livre cristalizada, contagem de partículas | LT = 8,5 / (% quartzo + 10) mppdc (milhões de partículas por decímetro cúbico) | Amostras coletadas com impinger na zona respiratória e contadas pela técnica de campo claro [6] |
| Sílica livre cristalizada, poeira respirável | LT = 8 / (% quartzo + 2) mg/m³ | A concentração e o teor de quartzo são medidos na fração que passa pelo seletor do Quadro nº 1 [6] |
| Sílica livre cristalizada, poeira total (respirável e não respirável) | LT = 24 / (% quartzo + 3) mg/m³ | [7] |
Pontos que afetam a aplicação
- Seletor de poeira respirável (Quadro nº 1): a passagem pelo seletor é de 90% para partículas de até 2 µm, 75% a 2,5 µm, 50% a 3,5 µm, 25% a 5,0 µm e 0% a 10,0 µm. O anexo define que "quartzo" significa sílica livre cristalizada [7].
- Jornada semanal (sílica): os limites valem para jornadas de até 48 horas por semana, inclusive. Acima de 48 h semanais, os limites "deverão ser deduzidos", com valores fixados pela autoridade competente [7].
- Proibições ligadas à sílica: é proibido o jateamento com areia seca ou úmida como abrasivo (Portaria SIT nº 99/2004). Máquinas de corte e acabamento de rochas ornamentais "devem" ter sistema de umidificação (Portaria SIT nº 43/2008) [7].
- Asbesto:
- É proibido usar qualquer asbesto do grupo dos anfibólios, salvo autorização da autoridade competente quando a substituição não for exequível [8].
- É proibida a pulverização (spray) de qualquer forma de asbesto, e menores de 18 anos não podem trabalhar onde haja exposição à poeira de asbesto [8].
- O empregador "deverá" fazer a avaliação ambiental em intervalos de no máximo 6 meses e guardar os registros por pelo menos 30 anos [4].
- A avaliação usa o método do filtro de membrana, com aumento de 400 a 500x e contraste de fase [4].
- Manganês:
- Ultrapassados os limites, as atividades são insalubres em grau máximo. Pagar o adicional não dispensa o empregador das medidas de prevenção [5].
- Somente engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho pode fazer as avaliações de concentração ambiental e caracterizar a insalubridade (art. 195 da CLT) [6].
- Adicional de insalubridade: os percentuais são 40% (grau máximo), 20% (grau médio) e 10% (grau mínimo), calculados sobre o salário mínimo da região. Havendo mais de um fator de insalubridade, conta apenas o de grau mais elevado, sem acumular [3].
- Mudança recente: a Portaria MTE nº 2.021, de 03/12/2025, incluiu o subitem 15.4.1.3, em vigor desde 03/04/2026. Ele exige que o laudo que caracteriza a insalubridade "deve estar disponível" aos trabalhadores, aos sindicatos e à inspeção do trabalho [3].